Você está aqui: Página Inicial > Seus Direitos > Anistia Política > Clínicas do Testemunho > Resultados das Clínicas do Testemunho > Resultados das Clínicas do Testemunho (Edital 2012)

Resultados das Clínicas do Testemunho (Edital 2012)

por Alexandre.mourao publicado 08/03/2016 15h27, última modificação 05/04/2016 16h40

Ilustração: Enio Squeff

Até dezembro de 2015, as Clínicas haviam realizado mais de 4 mil atendimentos diretos, ofertados de forma descentralizada, a centenas de vítimas da violência estatal. As modalidades de atendimento variam entre clínicas, a depender das particularidades das demandas encontradas, e incluem atendimentos clínicos individuais, familiares, e em grupo, realizados por equipe interdisciplinar.

Na condição de projeto piloto em reparação psíquica no Brasil, as primeiras Clínicas do Testemunho criaram dispositivos terapêuticos específicos, de modo a atender melhor às especificidades do trabalho proposto, como as Conversas Públicas. As Conversas Públicas são mesas redondas, debates e conferências abertas que informam a sociedade sobre as consequências da ditadura militar e seus métodos repressivos na vida da sociedade brasileira, dando destaque ao papel do testemunho na consolidação de uma política de Reparação, Memória, Verdade e Justiça. Elas dão visibilidade às propostas teórico-metodológicas das clínicas, criam espaço para a identificação do público com o tema, e estimulam a fabricação de testemunhos e a adesão ao Projeto. Entre 2013 e 2015, cerca de 3 mil pessoas atenderam as quase 40 conversas públicas realizadas. 

O dispositivo de atendimento em grupo foi utilizado por todas as clínicas sob diferentes denominações e metodologias: grupos de testemunho, grupos de acolhimento e escuta, psicoterapias de grupo, grupos de família e casal, grupos de terapia corporal, dentre outros. O trabalho grupal permite a construção de narrativa sobre o vivido e o compartilhamento das experiências de sofrimento e resistência, anteriormente relegadas à esfera privada. Ao romper com o silenciamento dos danos causados pela tortura, os grupos possibilitam a irradiação do debate, visando à inscrição social do dano.

As Clínicas do Testemunho promoveram iniciativas especiais de atenção às vítimas indiretas da violência ditatorial, especialmente filhos e netos de pessoas atingidas por situações de silenciamento e medo frente às práticas de tortura e desaparecimento forçado praticados a seus familiares. A experiência assumiu relevância no trabalho das clínicas, já que essa população constituiu número bastante significativo dos inscritos no projeto. Assim, considerando que as conseqüências nefastas da violência de Estado tendem a continuar se perpetuando nas gerações seguintes, a atenção psicológica aos filhos e netos buscou elaborar os danos causados e dar novos sentidos à história de vida dos afetados.

Foi, portanto, dentro do Projeto Clínicas do Testemunho que surgiu no Brasil a experiência dos grupos de filhos e netos, nos quais os temas da narrativa e da memória suscitaram o reconhecimento da importância de falar e escutar as histórias de suas famílias, com o intuito de transmitir as vivências do acontecido. Na medida em que os integrantes dos grupos compartilhavam suas histórias e percebiam os efeitos desse compartilhamento no ambiente familiar e/ou público, se tornou mais clara a importância de manter viva a sua própria história e de reconstituir o passado atualizando-o nas gerações posteriores.

As Clínicas do Testemunho ofertaram ainda apoio a profissionais que lidam com as graves violações de direitos humanos praticadas no país e a testemunhas que atuaram junto a comissões da verdade, com destaque para as seguintes iniciativas:

  • A ClínicaProjetos Terapêuticosdo Rio de Janeiro fez uma parceria com a Comissão Estadual da Verdade do RJ, para apoio às testemunhas ouvidas pela CEV-Rio e a assessores e membros que acompanharam as oitivas. Também acompanhou testemunhos junto à CNV.
  • As Clínicas Sedes eProjetos Terapêuticosde São Paulo ofertaram atendimento psicológico aos peritos do Grupo de Trabalho de Antropologia Forense responsáveis pelo trabalho de identificação de pessoas enterradas na vala clandestina do Cemitério de Perus.

As Clínicas realizaram também oficinas de capacitação para a formação de profissionais da saúde, inclusive da rede pública, que lidam com vítimas de violência de Estado, beneficiando 700 profissionais

No eixo de produção de insumos, as Clínicas produziram publicações e material audiovisual. O material produzido tem como objetivo difundir o conhecimento adquirido com a experiência do projeto para aproveitamento profissional múltiplo no enfrentamento à violência de Estado.

 

Livros Publicados

Vídeos

Relatórios finais das Clínicas do Testemunho (projetos 2013-2015)

Testemunhos de Beneficiários das Clínicas