Prevenção

por gabriel.maciel publicado 04/09/2014 16h17, última modificação 24/01/2018 15h45

|Prevenção||Tratamento||Redução de danos|

Prevenção

A efetiva prevenção é fruto do comprometimento, da cooperação e da parceria entre os diferentes segmentos da sociedade brasileira e dos órgãos governamentais federal, estadual e municipal, na perspectiva da Responsabilidade Compartilhada, com a construção de redes sociais que visem a melhoria das condições de vida e promoção geral da saúde.

A tomada de decisões com base em informações de evidências científicas, bem como a defesa incondicional da ética e dos direitos humanos são princípios norteadores de todas as ações de prevenção a serem desenvolvidas. O paradigma de prevenção que sustenta essas premissas está expresso nas diretrizes definidas pela SENAD para prevenção, tratamento e redução de danos.

Tais diretrizes estão embasadas no documento Normas Internacionais sobre a Prevenção ao uso de Drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime – UNODC, 2014,  e recomendam estratégias que fortaleçam os fatores de proteção, com foco no desenvolvimento de habilidades de vida, especialmente de crianças e adolescentes, como aumento da capacidade de manejar as próprias emoções, desenvolvimento da criatividade e do pensamento crítico, desenvolvimento e fortalecimento da autonomia para a resolução de problemas e tomada de decisão mais assertivas. Nessa mesma perspectiva, há a indicação de que o fortalecimento dos vínculos familiares é um importante fator de proteção para a prevenção do comportamento de risco para o abuso prejudicial de álcool e outras drogas, em especial, entre o público adolescente.

Portanto, as ações preventivas devem ser pautadas em princípios éticos e na pluralidade cultural, orientadas para a promoção de valores voltados à saúde física e mental, individual e coletiva, ao bem-estar, à integração socioeconômica e a valorização das relações familiares, considerando seus diferentes modelos. Além disso, devem ser planejadas e direcionadas ao desenvolvimento humano, com incentivo à educação para a vida saudável, acesso aos bens culturais, incluindo a prática de esportes, cultura, lazer, a socialização do conhecimento sobre drogas com embasamento científico, o fomento ao protagonismo juvenil, à participação da família, da escola e da sociedade na multiplicação dessas ações.

As mensagens utilizadas em campanhas e programas educacionais e preventivos devem ser claras, atualizadas e fundamentadas cientificamente, considerando as especificidades do público-alvo, as diversidades culturais, as vulnerabilidades, respeitando as diferenças de gênero, raça e etnia.

A execução da PNAD, no campo da prevenção deve ser descentralizada nos municípios, articulada de forma interfederativa e participativa, com o apoio do Conselho Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, dos Conselhos Estaduais e Municipais e da sociedade civil organizada, de forma adequada às peculiaridades locais e priorizando as comunidades e populações vulneráveis, identificadas por meio de estudos diagnósticos.

Diretrizes de Prevenção

- Garantir aos pais e/ou responsáveis, representantes de entidades governamentais e não-governamentais, iniciativa privada, educadores, religiosos, líderes estudantis e comunitários, conselheiros estaduais e municipais e outros atores sociais, capacitação continuada sobre prevenção do uso indevido de drogas lícitas e ilícitas, objetivando engajamento no apoio às atividades preventivas com base na filosofia da responsabilidade compartilhada.

- Dirigir as ações de educação preventiva, de forma continuada, com foco no indivíduo e seu contexto sociocultural, buscando desestimular o uso inicial de drogas, incentivar a diminuição do consumo e diminuir os riscos e danos associados ao seu uso indevido.

- Promover, estimular e apoiar a capacitação continuada, o trabalho interdisciplinar e multiprofissional, com a participação de todos os atores sociais envolvidos no processo, possibilitando que esses se tornem multiplicadores, com o objetivo de ampliar, articular e fortalecer as redes sociais, visando ao desenvolvimento integrado de programas de promoção geral à saúde e de prevenção.

- Manter, atualizar e divulgar um sistema de informações de prevenção sobre o uso indevido de drogas, integrado, amplo e interligado ao OBID, acessível a toda a sociedade, que favoreça a formulação e implementação de ações de prevenção, incluindo mapeamento e divulgação de “boas práticas” existentes no Brasil e em outros países.

- Incluir processo de avaliação permanente das ações de prevenção realizadas pelos Governos, Federal, estaduais, municipais, observando-se as especificidades regionais.

- Fundamentar as campanhas e programas de prevenção em pesquisas e levantamentos sobre o uso de drogas e suas consequências, de acordo com a população-alvo, respeitadas as características regionais e as peculiaridades dos diversos segmentos populacionais, especialmente nos aspectos de gênero e cultura.

- Propor a inclusão, na educação básica e superior, de conteúdos relativos à prevenção do uso indevido de drogas.

- Priorizar ações interdisciplinares e contínuas, de caráter preventivo e educativo na elaboração de programas de saúde para o trabalhador e seus familiares, oportunizando a prevenção do uso indevido de drogas no ambiente de trabalho em todos os turnos, visando à melhoria da qualidade de vida, baseadas no processo da responsabilidade compartilhada, tanto do empregado como do empregador.

- Recomendar a criação de mecanismos de incentivo para que empresas e instituições desenvolvam ações de caráter preventivo e educativo sobre drogas.