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Marcas da Memória III - 2012

por Renata Barreto Pretrulan publicado 12/04/2016 16h41, última modificação 12/04/2016 16h41

Em 2012, na terceira edição da chamada pública do Marcas da Memória, nove propostas foram selecionadas, englobando a realização de filmes, marcos, acervos virtuais e ações de mobilização social. Com um aporte de R$ 3.548.756,81, a Comissão de Anistia promoveu a continuidade e aprofundamento das políticas de memória no país.

 

Trilhas da Anistia

O projeto Trilhas da Anistia – Marcas de Caravanas e Recontes de Histórias tem como objetivo a criação de totens/marcos em locais públicos com grande circulação de pessoas em cidades por onde passaram ou passarão as Caravanas da Anistia. Foram instalados 8 destes totens nas cidades de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Florianópolis, Ipatinga, Porto Alegre e Recife. Os marcos são de autoria da artista plástica Cristina Pozzobon e o desenvolvimento e registro técnico são do arquiteto Tiago Balem. A finalidade é a criação de marcos que simbolizem as lutas populares contra os excessos e atos do Estado que configuraram graves violações aos direitos humanos no período da ditadura civil-militar. Assim como o período entre 1964 e 1988 foi marcante em função dos atos arbitrários da ditadura, esses totens, criados nas cidades que sediaram os julgamentos dos pedidos de anistia, marcam a vitória do povo que resistiu pela democracia.

Parceiro: Agência Livre para a Informação, Cidadania e Educação – ALICE (RS)

Convênio n° 773823/2012

Vigência: 10/12/2012 a 30/03/2016

Valor Total: R$ 507.080,00

  

Nossas Histórias

O projeto “Nossas histórias” é fruto da parceria do CRIAR e da Comissão de Anistia por meio da terceira chamada pública do Marcas da Memória. “Nossas histórias” é um conjunto de filmes e spots de rádio que contam a história de três pessoas anônimas com trajetórias emblemáticas na luta contra a ditadura militar e a reconstrução da democracia no Brasil.

O projeto dá visibilidade a essas trajetórias que foram duramente transformadas pelo Estado de exceção entre 1964 e 1988. O documentário foi desmembrado em três filmes no formato para série de TV de 26 minutos, tornando ainda mais acessíveis os depoimentos. Para promover a divulgação dessas histórias que denunciam o período lamentável da história do Brasil, principalmente para as juventudes, estudantes universitários e a sociedade civil em geral, foram também produzidos filmes a serem divulgados nas redes sociais, facilitando a distribuição através de diferentes formatos e canais.

É possível acessar todo o material na página do parceiro, clicando aqui.

Parceiro: Centro de Imprensa Assessoria e Rádio – CRIAR Brasil (RJ)

Convênio n° 773822/2012

Vigência: 10/12/2012 a 19/12/2014

Valor Total: R$ 459.571,00

 

Lugares de memória no Cone Sul

O objeto da parceria entre o Instituto Primeiro Plano e a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça foi a produção de um filme que retrata a experiência de justiça de transição em países do Cone Sul: Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. O filme foi intitulado “Uma dor suspensa no tempo: Caminhos da memória na América Latina” (80min) tendo como cenários lugares de memória, como espaços que abrigaram a violência ditatorial em cada país entre os 1954 e 1990. Entre esses espaços estão prisões e centros de tortura transformados em lugares de memória como museus. O filme aborda semelhanças, aproximações e diferenças entre os regimes ditatoriais nestes países, bem como as resistências das populações a eles. Ao mesmo tempo em que recupera históricos de regimes ditatoriais e as atrocidades cometidas por eles, o filme traz a importante questão da resistência e da luta pela democracia. É importante ressaltar o esforço de preservação e disseminação desses lugares de memória e das histórias que trazem consigo, fundamentais para a garantia de que esses episódios não sejam esquecidos.

 

Parceiro: Instituto de Comunicação, Estudos e Consultoria – Primeiro Plano (SC)

Convênio n° 773853/2012

Vigência: 10/12/2012 a 28/11/2014

Valor Total: R$ 607.500,00

 

Cinema pela Verdade – 2ª edição

Em sua segunda edição, a mostra “Cinema pela verdade” realizou sessões itinerantes e gratuitas em Universidades brasileiras exibindo filmes que retratam graves acontecimentos do período da ditadura civil militar. A mostra de cinema aliou debates com os participantes, discutindo as violações aos direitos humanos cometidas pelo Estado nos anos entre 1946 e 1988. A estimativa de espectadores foi superior a 20.000 pessoas passando por todos os estados brasileiros realizando no total, 231 sessões, 227 delas com debates.

Os filmes apresentados foram “Eu me lembro” de Luiz Fernando Lobo, documentário que acompanhou o trabalho das Caravanas da Anistia durante cinco anos, e “Infância clandestina” de Benjamin Ávila que retrata a vida de Juan e sua vida clandestina ao lado de seus pais e tio. Foram exibidos ainda “Mariguella” de Isa Grinspum Ferraz, que trata da história do guerrilheiro homônimo sendo considerado inimigo número um da ditadura no Brasil, e também o filme “No” de Pablo Larraín que retrata os dilemas do ditador Augusto Pinochet em convocar plebiscito nacional para continuar no poder ou não.

A exibição dos filmes e a promoção dos debates com os estudantes têm uma importante função no objetivo de garantir o conhecimento da população sobre esse importante capítulo da história do Brasil e de países da América Latina na defesa dos direitos humanos.

Parceiro: Instituto Cultura em Movimento – ICEM (RJ)

Convênio n° 773855/2012

Vigência: 10/12/2012 a 09/12/2013.

Valor Total: R$ 526.105,00.

  

Acervo da Associação 64/68

Por meio da parceria entre a Associação 64/68 – Anistia e a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, no âmbito do Projeto Marcas da Memória, foi feito o trabalho de conservação, organização, catalogação e digitalização de documentos referentes ao período da ditadura militar entre 1960 e 1988, particularmente no nordeste brasileiro. Esses documentos são prontuários e fichas de pessoas detidas, inquéritos policiais, análises produzidas secretamente por órgãos de segurança e informação, entre outros. Esses são importantes registros das perseguições e das arbitrariedades cometidas nos anos de exceção pelo governo militar. A conservação, assim como a facilitação do acesso do público a esses documentos, garante que essas informações não apenas não se percam como também tenham ampla divulgação para a sociedade civil, estudantes e pesquisadores em geral.

Parceiro: Associação 64/68 – Anistia (CE)

Convênio n° 774405/2012

Vigência: 31/12/2012 a 30/06/2015

Valor Total: R$ 130.343,84

 

Acervo Virtual da Anistia

O “Acervo Virtual da Anistia” é um espaço online que foi criado para resgatar a memória da Anistia de 1979 organizando a Série Documentos Históricos para a divulgação e difusão de informações relacionadas às perseguições e aos processos de justiça transicional referentes a democratização do Brasil, com ênfase no trabalho de Comissão de Anistia do Ministério da Justiça recolhidos por Teotônio Vilela. Além das informações sobre o trabalho de justiça transicional promovido pela Comissão de Anistia o acervo traz informações referentes a outros movimentos e uma galeria multimídia com filmes e documentários sobre a memória política do período ditatorial no Brasil. Clique aqui para acessar o site.

Parceiro: Instituto de Políticas Relacionais – Psicodrama da Cidade (SP)

Convênio n° 774368/2012

Vigência: 09/12/2013 a 19/12/2014

Valor Total: R$ 269.148,00

  

Memória e Compromisso

A partir da parceria entre a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (DF) e a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, foi realizado um seminário nacional que percorreu cinco capitais brasileiras, intitulado “Memória e Compromisso: relembrar o papel dos cristãos, no processo de anistia política e na reconstrução democrática do Brasil”. Os seminários sediados em Recife, Maranhão, Belém, Porto Alegre e São Paulo tinham como objetivo discutir a experiência de cristãos em Justiça de transição e anistia política, principalmente na luta pela reconstrução da democracia no Brasil entre 1964 e 1988.

Parceiro: Comissão Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB (DF)

Convênio n° 774584/2012

Vigência: 20/12/2013 a 30/06/2015

Valor Total: 419.921,50

  

Depoimentos para a História: a resistência à ditadura militar no Paraná

 O objeto da parceria realizada entre a Sociedade DHPAZ e a Comissão de Anistia, através do Marcas da Memória, consistiu na produção, impressão e distribuição do livro “Depoimentos para a História: a resistência à ditadura militar no Paraná”. O livro reúne testemunhos de pessoas que foram perseguidas pelo regime militar no estado. É de suma importância garantir que essas trajetórias sejam materializadas em um acervo que esteja disponível e acessível para amplo conhecimento da sociedade civil, de pesquisadores e a quem mais possa interessar tanto as atrocidades cometidas pelo regime militar e os desrespeitos os direitos humanos cometidos na época, quanto a importância da justiça de transição, a reparação a essas pessoas e o debate sobre democracia e liberdade. O livro está disponível na íntegra neste link.  

Na pagina do parceiro estão disponíveis ainda, vídeos de alguns depoimentos que foram gravados para a produção do livro: Carmen Ribeiro, Aluizio Ferreira Palmar, Manoel Barbosa e Maria Ramos Zimmermann

Parceiro: Sociedade DHPAZ – Direitos Humanos Para a Paz (PR)

Convênio n° 779935/2012

Vigência: 30/12/2012 a 30/06/2014

Valor Total: R$ 164.900,00

 

Digitalização e Disponibilização da Série Prontuários do Fundo DEOPS

Na III chamada pública do projeto Marcas da Memória, foi apresentada uma proposta para uma nova etapa das digitalizações de fichas remissivas dos dossiês da DEOPS de São Paulo.  Foram digitalizadas 150 mil fichas remissivas dos Dossiês da Delegacia Especializada de Ordem Social do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (DEOPS) e assim geradas cerca de 150 mil imagens de documentos pertencentes a estes Dossiês (correspondendo aproximadamente a 1000 dossiês) para os quais as fichas remetem. Essas fichas referem-se a pessoas vítimas de perseguições e/ou que desapareceram ou foram mortas no período da ditadura, no estado de São Paulo, sob suspeita de cometer delitos considerados contra a ordem e a segurança do Estado.

As fichas estão disponíveis no site do Arquivo do estado de São Paulo e permitem consulta pelo público em geral, colaborando com a missão da Comissão de Anistia de promover a reparação individual e coletiva pelas violações cometidas no período ditatorial e reafirmando o compromisso do Estado com a verdade e o direito à memória.  

Parceiro: Associação de Amigos do Arquivo do Estado de São Paulo

Convênio n° 779580/2012

Vigência: 28/12/2012 a 30/04/2014

Valor Total: R$ 377.998,74

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